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Praga ataca canaviais de Pernambuco com destruição de 15 t por hectare


Depois de enfrentar cinco anos de seca, os produtores de cana agora estão preocupados com a volta do período chuvoso que tem contribuído  para o desenvolvimento de pragas. A infestação da Cigarrinha da Raiz, inseto oriundo do norte do Estado de Alagoas, tem se alastrado nos canaviais de toda a Zona da Mata Sul pernambucana. Inicialmente, ela ataca a raiz e retira nutrientes da plana. Secam as folhas e apodrecem. A cana também deixa de absolver água. Com isso, reduz-se a produção. Estima-se uma perda de 15 toneladas por hectare. E as que sobrevivem perdem a capacidade de reter açúcar, reduzindo seu valor de mercado.

A Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP) vem atuando para controlar a praga. O Departamento Técnico da entidade tem apostado na produção de um fungo (Metarhizium anisopliae) para o controle biológico da Cigarrinha da Raiz (Mahanarva fimbriolata). “Nosso associado está recebendo-o gratuitamente. O uso de práticas culturais de controle biológico permite a redução da população desta praga a um custo inferior ao obtido com o controle químico e sendo mais eficiente”, diz Paulo Giovanni, vice-presidente da AFCP e diretor do Departamento Técnico do órgão.

O fungo Metarhizium anisopliae também está à venda pela AFCP para os produtores não associados. Em casos mais extremos da infestação e quando é necessário o uso de produtos químicos, o dirigente lembra ao produtores de cana que a Cooperativa de Agronegócios da entidade (Coaf) ainda comercializa produtos para este combate químico, sendo vendido a preços menores que os praticados pelo mercado, a exemplo do inseticida Actara. Pode-se consultar o Departamento Técnico sobre qual a melhor forma de controle. No geral, Giovanni alerta que quando a praga já estiver em estado avançado, com efeito descontrolado no canavial, é recomendável usar o controle químico.

O agrônomo da AFCP, Ricardo Moura, alerta ainda para prejuízos com a Cigarrinha adulta. Causa injúria nas folhas, ou seja, provoca o sintoma conhecido popularmente como “queima da folha”. Com isso, as deixam secas, diminuindo a produtividade e com perdas de ATR (taxa que mede o potencial de retirada de açúcar da planta e que serve de referência no setor canavieiro para a definição do seu valor financeiro) na colheita.

Moura explica que existem dois tipos de Cigarrinha (Raiz e da Folha), sendo comparativamente mais agressiva e de difícil controle a espécie que ataca a raiz, face a sua localização no solo, dificultando a eficiência do combate. “Enquanto a Cigarrinha da folha ataca justamente na parte superior da cana, também com prejuízos significativos”, diz o agrônomo.

Alexandre Andrade Lima, presidente da AFCP, chama atenção para os prejuízos financeiros com a infestação desta praga. Em valores médios, o dirigente, que também é agrônomo, garante que a Cigarrinha da Raiz causa perdas de aproximadamente 15 toneladas por hectare a cada corte de cana. Esse montante, em muitos locais, atingem valores muito maiores. Além disso, provoca a perda com a redução do crescimento da cana. E interfere diretamente na redução da produtividade e do número de cortes do talhão atacado, causando desta forma grandes prejuízos.

da Assessoria

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